quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Onde está Ágatha+***

Onde o brilho de seu olhar
a luz de seu sorriso
o amor de seus (a)braços?
Tudo se foi
e não sei onde está.
Onde os sonhos
onde o futuro
onde os planos ainda nem feitos?
Onde a mulher
que nunca existirá?
Onde os filhos inexistentes
os sonhos de família
a profissão perdida?
Onde está Ágatha
que à força do pesadelo
não pôde se prender à vida?
Onde está o sonho amarelo
que explodiu à força de um projétil?

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O que sobra de nós...

O que nos faz mais ou menos,
quais as máscaras que vestimos,
quem somos de verdade
quando se apagam as luzes?

Quem somos quando tiramos a roupa,
guardamos os diplomas na gaveta,
quando tiramos a maquiagem,
o perfume e as meias rasgadas?

O que sobra de nós depois do pó de arroz
social que nos encobre a face,
da cama no quarto escuro
da noite no vazio da solidão?

O que resta de nós quando sozinhos
nos olhamos no espelho,
e voltamos a ser nós mesmos
de pura face perdida no olhar?

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Ninguém nos espera

Ninguém nos espera
do outro lado da vida
nem do outro lado do telefone.
Não há espera
só expectativas 
e não cabe a ninguém
atendê-las, nem aqui
nem do outro lado
seja do mundo
seja do universo
seja do outro lado da rua.
Estamos sós
e é só o que importa.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

No meio do caminho

Não me achei em mim
nem em ti
e nessa fuga desesperadora
 de mim
encontrei-te [vazia]
no meio do caminho.

É no meio do caminho
que não sei onde me perdi
só sei que te encontrei
numa rua [nua]

e no meio do caminho
entre o bar e a padaria
entre o café e o pão
assim vi
você no meio do caminho

de nossas insossas 
existências.

Mínimas

Poetizei-me
e depois de escandido
restaram-me só meus versos
partidos.


A coisa está preta
nem por isso vou branquear-me
para caber no teu céu.


Sou muita cor
para caber no teu
papel branco
de preconceitos.






segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Lágrima

O que é a lágrima
senão essas duas lâminas
a cortar-me a face?
Uma lágrima nunca está só,
desce duplamente vincando
a face pelos extremos.
Lágrima, teu mar salgado
não me mata a sede
tuas águas não me iluminam
o rosto.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

O eu do outro lado do rio

Do outro lado da margem me encontro
sempre neste alheamento do eu,
que gera a resistência em atravessar
esse rio de possibilidades.
Do outro lado estou a postos
na breve necessidade de lutar.
E estou pronto à luta
mas, com unhas e dentes afiados
nego a travessia, nego a outra margem.
Tenho medo do que me diga
o outro eu a quem alienei.
No entanto, o outro eu 
é todo rio, é todo margem, é todo fluir
e eu observo o outro na margem oposta
como quem receia da profundidade
e tem medo que o rio não dê pé.

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...