sábado, 18 de janeiro de 2014

Inspiração

Medito diante da página em branco,
sentimentos rondam incessantes,
pouca coisa serve para poesia.
Sentimentos me atormentam,
mas não servem para versos.
Fricciono a tampa da caneta
contra a lombada do livro.
Sintoma de baixa inspiração.
Inspire, expire, inspire, expire.
São apenas repetições, de nada servem,
continuo tenso agudo como antes.
Tensa é a poesia, tensa é a vida,
intensa é a dor, o terror de estar só.
A página em branco é sintoma
de solidão, até as palavras
me abandonaram e não mais
desfilam pela linhas do papel.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Fim de tarde

Nuvens neblinadas de cinza prata
cobrem meus olhos escuros de noite.

Céu laminado de luz qual navalha
entrebrilhante a rapar branca espuma face
em movimento retilíneos.

Desce cortando veia sangue
meu pescoço sanguinolento lento
lentamente, laminarmente a
esperança nauseabunda do nada.

Fatiamente em espirais a íris
descendo o vermelho sangue a
tingir as nuvens pratas de
céu brilhante em lascas chamejantes.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

No tabuleiro de tua saia
medito em como tomar tua rainha.

Antigo jogo da conquista,
percorre tuas pernas de marfim.

No balanço de tua saia,
encontro as ondas de meu sonho navegante.

Torno-me voyeur de tua negaça
deslizante pelas ruas e becos.

Sigo como hipnotizado
o quadriculado desfraldado em tuas ancas.

Porém, morro na praia dos prazeres
frustrado pelo fechar do portão detrás
de tuas costas amuralhadas.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Escultura

Pousado sobre tuas pernas qual psiquê de
olhos semicerrados a sentir eros,
gozo o toque de teus dedos
a delinear o esboço de meu rosto.


Amorinventado
flecha agudacerteira de dor.

Folhetim falsificado
de doce amarga página.

Invenção adunca do real
em sua curva convexa
reflete curvos lábios de grosseiros
vocábulos fremebundos esbarrocados
nos lóbulos maciosuaves das orelhas.

Arranha agudo com duplas unhas
minha garganta de chorodor
exalado pelas ventas esmorecidas
do amoruína romaria de triste pacalho
fim de velas apagadas
por teu sopro de fi..fi..fim...fim...m.mm.mm.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Covardia Masculina

Olhos ferventes de Capitu
refrão/chavão da covardia
masculina frente o goivo
bronzeado do prazer.

Traga-nos o dedo úmido
das falanges de Riobaldo
no verde dos olhos de Diadorim.

Anacruse de vozes enfronhadas
em noite de soluços e medos
medrosos da albalvorada
inaugurada pelo brilho do olhos
de Capituadorim.

Longínquo

Do desvazio de teus olhos
miramar sentimentos no horizonte;
memória, memory, memoire
de ondalas esvoaçantes sobre
o cumesperma da montanha invernosa.

Gotejaescorre lesmamente pela
rocha dura áspera de beleza pedra;

estilhaça contra o nu de tua íris
irisada pelo caleidoscópioforme
do arco-íris multifacetecolor do
lusco-fusco de teu mirramarescer.


  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...