Os olhos são duas pequenas chamas
capazes de incendiar o corpo
e pôr à pique o maior dos navios.
Pelos olhos conhecemos novos portos,
mergulhamos oceanos bravios,
alcançamos ver os horizontes
e percebemos nossa infame finitude
diante do nada e do desconhecido.
Pelos olhos descobrimos nosso tempo
e aquilo a que chamam de efemeridade
ganha corpo e nos vemos diante do espelho
em realidade dura e inapelável
contra os juízos do sonho e da fantasia.
Depositados às portas da Eternidade,
aprendemos que havia outra chama
a devorar nossos dias, nossos sonhos,
nossa realidade agora desfeita
nessa figura de quase quadro,
que nos observa muda no espelho
numa cordialidade cínica de quem sabia
que também as chamas dos olhos um dia apagam.
quarta-feira, 14 de março de 2018
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