Nas pontas dos dedos
saltam as palavras na tela
surgem mundos, emoções
vidas acabam, amores nascem
casamentos de desfazem
tudo nas pontas dos dedos.
Sempre pensei o amor
como um soco no estômago
que remoeria dentro de mim
as entranhas a ponto de se desfazer.
Hoje não sei direito o que é o amor,
será que ele pode ser sutil como uma flor?
Será que o tenho entre as mãos
e o sufoco com a um pássaro que quebrou a asa?
O que é o amor senão esta dor
que ora vem em ondas a me afogar.
Olho a foto e meço com o olhar
a distância entre nossos corpos,
eles são feitos de matéria
um está fixado no tempo
e outro vive a dor da ausência
separados estão por um palmo de nariz
e ali tão presente sentada
estás tão longe que eu não posso tocar-te
com as pontas de meus dedos.
O retrato ri ironicamente de mim
e eu choro a distância de uma foto.
A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...