quarta-feira, 21 de julho de 2021

 Nas pontas dos dedos

saltam as palavras na tela

surgem mundos, emoções

vidas acabam, amores nascem

casamentos de desfazem

tudo nas pontas dos dedos.

 Hoje o dia amanheceu sujo

precisando de uma limpeza

das vistas, das mãos

que entregues à reflexão

esfregavam-se uma na outra.

É preciso partir

deixar o pó da estrada

baixar sobre os rastros dos pés.

Mas é preciso ficar

aguentar a dor do outro

estender as mãos

abrir os ouvidos

na comunhão da longa vida.

Às vezes é bom pensar

às vezes é bom calar

o nó duro no fundo da garganta.

Às vezes é bom falar

nada de digitar

deixar a voz fluir

a corrente sanguínea agir.

Às vezes, mas só às vezes

é bom não ser nada

e na inércia ficar.

sábado, 19 de junho de 2021

Sim. Eu preciso de um corpo

para concretizar o desejo.

E tu és esta mágica insana

a rebolar sobre mim.

Nada pede o espírito

quando o corpo tudo sufoca.

Tenho-te como a estas pedras

sobre quem o mar arrebenta

em suas fortes ondas.

 Sempre pensei o amor

como um soco no estômago

que remoeria dentro de mim

as entranhas a ponto de se desfazer.

Hoje não sei direito o que é o amor,

será que ele pode ser sutil como uma flor?

Será que o tenho entre as mãos

e o sufoco com a um pássaro que quebrou a asa?

O que é o amor senão esta dor

que ora vem em ondas a me afogar.

Olho a foto e meço com o olhar

a distância entre nossos corpos,

eles são feitos de matéria

um está fixado no tempo

e outro vive a dor da ausência

separados estão por um palmo de nariz

e ali tão presente sentada

estás tão longe que eu não posso tocar-te

com as pontas de meus dedos.

O retrato ri ironicamente de mim

e eu choro a distância de uma foto.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

 Doce é o afago

e leve é a sombra que me trazes

como em um dia de sol.

Matas-me a sede

desta tua pele quente.

Ressecas-me os lábios

como o vento seco do inverno.

Mesmo assim me dizes o que fazer

e eu, louco, obedeço com um sorriso. 

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...