As maçãs dormiam quietas sobre as peras....
como não me lembrar desses sabores
desse ar de gente pela casa
dos abraços apertados, dos beijos quentes.
Estou só, estamos sós...
só não sabíamos que a memória
era capaz de girar a chave
e encher a casa de fantasmas.
Olho para as maçãs sobre as peras,
elas continuam quietas silentes
e meu abalo é apenas uma energia
a pairar entre os copos na cozinha.
terça-feira, 24 de março de 2020
sábado, 21 de março de 2020
É tempo
É tempo de mãos dadas
de ombros largos
de olhares solidários
de ser o Outro
de ver o Outro em nós.
É tempo de amor
mesmo que haja a dor.
É tempo de confortar
e de se aconchegar
em quem está ao teu lado.
É tempo de expandir:
o coração
a mente
as mãos,
que de palmas largas,
aprendem a acolher.
É tempo de se recolher
mas não de se encolher.
É tempo de poesia
porque a poesia
não pode esquecer
o irmão desconhecido
que no hospital dorme
e sozinho agoniza.
Que minha poesia
não seja egoísta
porque é tempo de mãos estendidas
e olhares carinhosos.
É tempo de morte
e de luta pela vida.
É tempo de se desfazer
dos falsos apertos de mãos
e de ter gestos maiores que os abraços.
É tempo de lutar contra o tempo
e não estar de mãos vazias.
Que eu não caminhe só e cabisbaixo
mas que em vigília carregue o andor
do terço de nossas feridas.
É tempo da poesia ser uma oração
e a oração uma poesia que nos livre
momentaneamente
do trágico fim que nos espera.
de ombros largos
de olhares solidários
de ser o Outro
de ver o Outro em nós.
É tempo de amor
mesmo que haja a dor.
É tempo de confortar
e de se aconchegar
em quem está ao teu lado.
É tempo de expandir:
o coração
a mente
as mãos,
que de palmas largas,
aprendem a acolher.
É tempo de se recolher
mas não de se encolher.
É tempo de poesia
porque a poesia
não pode esquecer
o irmão desconhecido
que no hospital dorme
e sozinho agoniza.
Que minha poesia
não seja egoísta
porque é tempo de mãos estendidas
e olhares carinhosos.
É tempo de morte
e de luta pela vida.
É tempo de se desfazer
dos falsos apertos de mãos
e de ter gestos maiores que os abraços.
É tempo de lutar contra o tempo
e não estar de mãos vazias.
Que eu não caminhe só e cabisbaixo
mas que em vigília carregue o andor
do terço de nossas feridas.
É tempo da poesia ser uma oração
e a oração uma poesia que nos livre
momentaneamente
do trágico fim que nos espera.
sábado, 14 de março de 2020
Sem rumo
Estamos indo em frente,
mas o que aprendemos
neste brejo de ansiedades?
Estamos indo para algum lugar
e os passos guiam-se pelos compromissos.
Os pés não sabem, a mente não sabe
só seguem este ininterrupto
regurgitar do tempo.
O certo é que passamos
e nos desfiamos nas lixas dos ponteiros
que não se cansam de desgastar
os dias, dividindo-os em segundos,
minutos e horas.
Estamos indo sem hora certa
sem dia marcado
para a inevitável partida,
quando os relógios serão estraçalhados
e o tempo submergirá a este monstro
chamado eternidade.
mas o que aprendemos
neste brejo de ansiedades?
Estamos indo para algum lugar
e os passos guiam-se pelos compromissos.
Os pés não sabem, a mente não sabe
só seguem este ininterrupto
regurgitar do tempo.
O certo é que passamos
e nos desfiamos nas lixas dos ponteiros
que não se cansam de desgastar
os dias, dividindo-os em segundos,
minutos e horas.
Estamos indo sem hora certa
sem dia marcado
para a inevitável partida,
quando os relógios serão estraçalhados
e o tempo submergirá a este monstro
chamado eternidade.
sábado, 29 de fevereiro de 2020
Primavera
Não sei quando minha vida criou espinhos,
mas sei o momento em que te encontrei
e brotaram flores em meus ouvidos.
Meus pés teceram raízes
no meio do caminho.
Teu olhar de manhã nova
teus olhos de brisa fagueira
se fixaram em minhas retinas.
Se fosse inverno
podaria meus galhos de ti,
mas era primavera
e fui ficando
florescendo sem atentar
no inevitável murchar das flores.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
Escola
Podia dizer que houve sol naquela manhã. Mas, chovia e fazia uma temperatura amena. Não vou dizer que me lembro daquele dia. Fiquei com as informações que me contaram. Embora tivesse certeza de que o céu estava azul e o sol brilhando para iluminar meu primeiro dia de aula, as histórias contadas por meus pais desmentem o que o coração guardava.
Incomoda-me ainda saber que não me lembro de meu primeiro dia de aula. Isso de ficar com as memórias alheias é um vasculhar que nunca termina.
Consta que chorei, não muito. Mostrei valentia frente àquilo que também desejava. Era o medo lutando contra a vontade. Venceu a vontade. Fiquei na escola e enfrentei aqueles que seriam, mais adiante, meus amigos.
Meus pais também deviam estar ansiosos. Pelo modo como me adaptei à escola, acho que souberam disfarçar bem, pois me passaram a segurança necessária para enfrentar os novos desafios de minha ainda curta vida.
Era uma saudade, um apertar o peito. Naquelas horas que me divertia em sala de aula, sempre estava presente a saudade, a expectativa, o medo de que não me buscassem, mas tudo se desfazia logo, feito nuvem leve no céu.
Aprendi a gostar da professora e logo a sentia mais próxima e um porto seguro quando o medo fazia minhas mãos suarem. Não demorou a sentir por ela também algo próximo do que posso chamar de saudade. Ela era o ponto de equilíbrio naquelas horas ausentes de meus pais.
Não me lembro bem, mas sei que logo comecei a me sentir em casa mesmo estando na escola. Reconhecia corredores, portas, rostos e os amiguinhos, que antes eram pequenos corpos à minha frente, ganharam nomes e feições mais nítidas. Passei a nomeá-los com desenvoltura e a contar histórias sobre eles. Faziam parte de meu cotidiano.
Nascia em mim o sentimento de estar no mundo. Ao mesmo tempo surgia a decepção de que no meu mundo houvesse outras pessoas que ocupariam um lugar no meu coração além de meu pai e de minha mãe. Era pouco ainda, mas crescia e a porta da escola que entrei, abriu para mim as portas de um mundo sem volta.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
O amor pode esperar
Ah....amor,
não me culpes por querer só teu corpo,
tudo começa nessas curvas
nesses trejeitos convidativos.
O Amor vem depois,
por ora quero tua boca,
teus lábios bem feitos
teus olhos molemente mornos.
Ah...amor,
deixe o Amor para depois
por ora somos corpos
e eles dançam tão bem.
Para que filosofias onde há matéria,
se temos os corpos
e se o Amor pode ficar para depois.....
não me culpes por querer só teu corpo,
tudo começa nessas curvas
nesses trejeitos convidativos.
O Amor vem depois,
por ora quero tua boca,
teus lábios bem feitos
teus olhos molemente mornos.
Ah...amor,
deixe o Amor para depois
por ora somos corpos
e eles dançam tão bem.
Para que filosofias onde há matéria,
se temos os corpos
e se o Amor pode ficar para depois.....
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