Meu corpo, teu corpo...
essas conjunções...
esses pronomes relativos
à posse, aos lugares,
dêiticos de nosso amor.
Meu corpo, teu corpo...
os sujeitos ocultos,
os objetos diretos,
os objetos indiretos
dos desejos e das fantasias.
Meu corpo, teu corpo...
complementos nominais
dessa gramática dos sentidos
de todos os verbos do Amar
de todos os nomes do Amor.
domingo, 14 de abril de 2019
sexta-feira, 5 de abril de 2019
Terra brasilis
Sobre as notícias da descoberta
encontrando as pernas abertas,
disse o rei e o ditador:
em aqui se plantando tudo dá
tem grama ao deus dará
e a manada zurrou feliz:
esta terra tem até meretriz
e a vida é viver por um triz
tem atentado, tem tocaia,
mas antes que eu caia,
quero te dizer povo meu
que se não sou Romeu
também não sou plebeu.
Não perco da burrada uma reunião
e assim em união
zurramos todos juntos
é por isso que sempre trago no bolso
a zurrada agastada
porque não falta ocasião
de zurrarmos em união.
encontrando as pernas abertas,
disse o rei e o ditador:
em aqui se plantando tudo dá
tem grama ao deus dará
e a manada zurrou feliz:
esta terra tem até meretriz
e a vida é viver por um triz
tem atentado, tem tocaia,
mas antes que eu caia,
quero te dizer povo meu
que se não sou Romeu
também não sou plebeu.
Não perco da burrada uma reunião
e assim em união
zurramos todos juntos
é por isso que sempre trago no bolso
a zurrada agastada
porque não falta ocasião
de zurrarmos em união.
Abraço
Estico os braços
mas sinto-os curtos
para tamanha distância.
Por que desperdiço-me em palavras?
São elas inúteis trastes velhos no fundo
das inúmeras definições do dicionário.
Quero abandonar os verbos
e abreviar teu mundo no curto espaço
que fecha a circunferência de meus braços.
mas sinto-os curtos
para tamanha distância.
Por que desperdiço-me em palavras?
São elas inúteis trastes velhos no fundo
das inúmeras definições do dicionário.
Quero abandonar os verbos
e abreviar teu mundo no curto espaço
que fecha a circunferência de meus braços.
terça-feira, 2 de abril de 2019
Ausência?
O que é ausência,
se carrego comigo o teu corpo
colado às minhas costas?
Não mais celebrarei a ausência,
porque estás comigo....
e como me é leve as tuas mãos
sobre meus ombros cansados....
e como me pesa o corpo,
se sinto que por instantes
te aligeiras o passo
como se quisesses aliviar em mim
o peso que por prazer ignoro.
se carrego comigo o teu corpo
colado às minhas costas?
Não mais celebrarei a ausência,
porque estás comigo....
e como me é leve as tuas mãos
sobre meus ombros cansados....
e como me pesa o corpo,
se sinto que por instantes
te aligeiras o passo
como se quisesses aliviar em mim
o peso que por prazer ignoro.
domingo, 31 de março de 2019
Caminhante
A Antonio Machado
Todo pasa, todo queda
Como olhar para frente
se ficou para trás o fôlego
dado ao passo trôpego?
Caminhante, o caminho
também se faz olhando
aquilo que os olhos ignoram.....
Caminhante, o caminho
também é percorrido com os passos
que ficaram para trás....
sem pernas, sem corpo, só rastros
e o passado é esse fantasma
que jamais vê o pôr-do-sol....
Caminhante, não há caminho
que uma vez conhecido
deixe de ser nosso caminho.
Caminhante, só é possível seguir
buscando aqueles que hoje em sombra
iluminam o eu que ficou para trás....
sexta-feira, 29 de março de 2019
Tecituras
A questão é achar a ponta
passar a linha pela agulha
porque se não pode haver pontas soltas,
também não há ponto sem nó.
E quando eu juntar a minha ponta
à sua ponta solta e der o nó
do outro lado da agulha,
remendarei o tecido da dor
e cerzirei o buraco da ferida.
Quando ele abrir de novo [e é certo que abra]
nossas mãos terão linha
para remendar
e juntos teceremos aquilo
que os fios soltos de nossas existências
jamais puderam fazer separados.
quarta-feira, 20 de março de 2019
Reclamada ausência
Por que, ignorante, reclamo da ausência?
Ela é presença constante
que em vazios, me preenche os dias,
é recordação pura, bruta em estado maior
de gritâncias, gestos e protestos.
Ainda sem teu corpo, o que reclamo
é a ausência física,
porque gritas em meus ouvidos
mal vejo a luz do dia me despertar.
E é sob gritos de protestos que adormeço
apegado a essa ausência branca, pura, intocável,
que me afaga os cabelos e sobre os joelhos
me nina e mima em afetos e esperanças.
Esperanças de que os sonhos antecipem o encontro fatal,
inevitável dos corpos que se consomem em corpo,
um corpo de verdade, embebido
de suor, pele, boca e mãos em comunhão.
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