terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O reino do lado de lá

Olho pela janela
e vejo o reino de lá
não aprecio a chuva
mas o entre mundo
das gotas esparsas.
Só me interessa o reino de lá
lá serei rei, dominarei um clã
e todos saberão quem sou.
No reino de lá ninguém
se perde e todos estão perdidos
livres dos olhos do mundo e
só têm compromisso com a liberdade.
Por isso, Deus, me tire do mundo de cá
e me leve para o reino de lá
lá serei rei e terei o meu clã.
Não permita Deus que eu morra
sem  que veja o lado de lá
sem que eu ouça: rei..rei..rei
o rei do lado de lá.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A zebra  pintada na tela do asfalto
foi atropelada pelos carros abruptos.
Pedestres contornaram os carros
cruzaram as margens opostas
sob o olhar vermelho de
desaprovação do Farol. 
O verde eurocêntrico abriu seu olho
e os burgueses de metal aceleraram
suas armaduras de aço e borracha,
desfilando suas joias aos olhos dos
pedestres inertes nas calçadas.
O Semáforo avermelhou do reflexo
do sangue do pedestre que ousou
montar a zebra pintada no asfalto.
Os carros explodiram em um soprar
de trombetas guerreiras incessantes
contra o cavaleiro ali estatelado
que aguardava as honras do rabecão.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A desrazão das palavras
e a incoerência em poesia
fazem meu mundo de fantasias.
Posso voar sem asas
em palavras coloridas
por um jardim de minhocas
sonhado pelos peixes;
esses seres coloridos de
aquário que observamos
sem compreendê-los.
Ah [...] belos e coloridos peixes
vós que resististes ao dilúvio
são apenas enfeites de salas.
Quem vos encarcerou assim
a memória que não podeis falar?


O dia inocente das dores
abriu seu sorriso claro,
ensolarado de festas.
Iluminou o casal de bicicleta
trouxe brilhos ao sorriso infantil.
Ignorante da minha dor
o sol se juntou aos felizes
em um festim de cores e calor.
Pude assim deitar meus olhos
a um horizonte de cinzas
certo que das festas restariam
vagas vaporosas brumais
de opacas lembranças
como se nem sol houvesse tido
no fatídico dia de hoje.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A Vida é um presente que sonharam
para nós na nossa inexistência.
Poeira cósmica, sonho, desejo, NADA.
É uma supresa que não ansiamos
não é presente de Natal nem de aniversário
é somente e tão somente Vida,
que nos obrigam a defendê-la.
E como defender uma causa
que não nos pertence por direito?
Não caberia a quem pediu
o presente, defendê-lo?
Os pais não são bons por
terem evitado o aborto,
essa dor de consciência
que escorreria pelas pernas.
Seriam bons
se não tivessem
sonhado
uma
vida
que
não 
podem
viver.
 

A velha desculpa dos adeuses...

Meu bem...
não sou para você
há mulheres melhores do que eu
não quero lhe fazer sofrer
você é tão lindinho
anjo, pensa bem [...]
você é jovem [...] tem a vida
toda pela frente
não quero prendê-lo
amanhã você estará melhor
será outro dia [...]
fica bem [...] tá...?!
Beijos [...] nunca esquecerei você.

Nem todos podem se gabar de Ulisses
a viagem de retorno aguarda
seus tormentos em casa.
Nem todos têm a sorte de uma Penélope
alguns nasceram para guardar
momentaneamente Helenas em seus leitos,
ou encontrar Teresas com o palácio em festa.
Por que choras, Misael? Guarda tua arma!
Há Marias Elviras não só na Lapa,
lembra-te da lição de Charles Bovary.
O conhaque está à mesa, celebremos a carne
da perdição masculina em suas maciezas.
 

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...