sábado, 14 de fevereiro de 2015

Abismei-me, de tolo que sou,
com os sons das palavras.
Como fica bonito o mundo
falado pelos torneios de sons
que se desenham graficamente
pelos jornais, livros e cadernos!
Ah sons benditos [...] com eles
pude eternizar o piado das aves,
a dor do passamento, as cores
que se escrevem em preto e branco
mas são amarelas, verdes e vermelhas.
E é justamente pelos sons das palavras
que jamais me senti só ou ignorado na vida.

Quando a Inspiração, essa ingrata, me abandonou
cogitei em deixar de me entregar à escrita.
Mas não pude fazê-lo, faltou-me orgulho,
pois só com as palavras tão gastas
poderia seduzi-la e trazê-la de volta.
Então, redigi cartas sem sabores,
neutras de poeticidade e beleza.
Mas de um lirismo tão verdadeiro
de um idílio tão descarnado e meloso
que a Inspiração teve dó de mim
e voltou pura em sua mácula
promíscua emprestada a outros poetas.
 
O mágico silêncio das folhas amarelas que caem
nos ensinam a declinar com a dignidade
daqueles que abrem espaço às folhas verdes
sem lamentar o tempo passado.
É necessário ultrapassar-se
deixar de se crer insubstituível;
só assim amansaremos ideias novas
despidos dos andrajos com que a tradição
adornou tanta gente para o túmulo.

 
Peço desculpas
mas hoje a poesia
me arrombou o peito
e no jorro bombeado
pelo coração nada
de sangue rubro
só a dor leucêmica
do poeta abandonado
pelas palavras.


Se de dor se fizesse poesia
teria o maior poemário
de todos os poetas tristes e agônicos.
Tenho uma dor enorme dentro de mim
tão forte quanto o sentimento de poesia.
Ambas parecem que explodirão,
mas catigam-me o peito e navego
nos sentimentos da poesia e da dor
poesiador dorpoesia poedor poemador
nada sara essas sensações:
a dor que insiste em ferroar
e o poético que se nega às palavras.


A dor deixa as retinas opacas e o
mundo sem brilho representando
cores emaecidas de fotos antigas.
Impossível a realidade tal e qual
meus olhos veem apenas a representação
dela ao meu modo de traçar ângulos de visão.
O que vejo é sonho, fantasia, delírio,
fotos de momentos inusitados para a seleção
do velho álbum de minhas memórias.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Preso [...]
Suspenso pelos pensamentos
psiquicamente prensado
contra mim.
Não tenho os fios de Ariadne
e as obsessões labirínticas
do eu me encarceram.
Pena perpétua, sem apelação,
condenado à morte em
meu corpo que perambula
inerte pelas ruas,
aguardo a hora da partida
nesse longo corredor da morte
chamado pelas pessoas: de vida.


  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...