domingo, 5 de outubro de 2014

Estou indo
tenho de ir
ficar mais não posso.
Vou buscar
não sei bem o quê
mas preciso buscar
preciso dar a alguém
este vazio insano
compartilhar em um abraço apertado
o espaço em branco que há em mim.


Caiu uma gota de lágrima negra
nas páginas amarelecidas,
pintando as linhas com tintas fúnebres:
marcas de necrológios ineludíveis.
Saudades inimagináveis revelaram-se
na distante genealogia familiar;
mortes absurdas, suicídios, loucuras
desfilaram nas páginas genésicas.
Percebi-me sentimental e nostálgico
diante daquele longo cortejo imemorial.
Último membro remanescente do clã
suspirei e joguei a última pá de terra,
encerrando assim os fantasmas
no eterno túmulo das palavras.

 
Nas tramas da vida
é fácil enredar-se
difícil é dar no pé
safar-se pela esquina
fugir daquela mina.
não cair na rotina
dos beijos repetidos
das declarações vazias
das reconciliações de ósculos entre cafés
nos lábios lambuzados de manteiga.

Oriente
Oriente-se
não perca a direção
nos caminhos de dunas
uma bússola é essencial
caso não tenha uma
estendo-lhe minha mão
melhor se perder em dois
pelo longo caminho a percorrer.

Compassos de pernas brancas
entre passos de dança;
giros de rotativas seduções
articulam-se nas flexuras
de teus artelhos de flores.
Se pudesse, alçaria-te
sobre uma caixinha de música
para [ali, palco particular] fascinado ver-te
girar em teus contornos de bailarina.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O sol entristecido
encostou sua cabeça no horizonte da tarde
e derramou seus últimos raios de saudade
do dia, que em derradeiros acenos
dava de sua luz o último ar da graça.


Do alto do orgulho 
da minha humildade
em matéria de ironia
sou o rei da zombaria.

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...