quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Solidão de noites acompanhadas
em lençóis compartilhados.
Você à leste, eu à oeste.
Brumas de tecidos levantados
em paredes de solidão mútua.
Vozes incompreensíveis, murmúrios
lamentos calados, sufocados
pelo desinteresse recíproco em compartilhar
algo mais que o espaço do leito.

domingo, 7 de setembro de 2014

As pedras de tuas palavras
caíram sobre minha cabeça.
Escavaram em meu cérebro
profundo abismo.
Impunemente as palavras
cravaram seus punhais
lâminas agudas atravessaram
a medula, separaram minh' alma.
E hoje vago sombrio no nada
e o nada é o meu cosmos,
taciturno, fúnebre, ausente de tuas palavras.
 

Sinto que passaste pela porta do quarto,
presença de sombra e bronze.
Tecido de pele morena
que escorre entre meus dedos.
Fecho os olhos para que não amanheça
e sinta tua pele de areia
escorrer leito afora.
Brinco de deter o tempo.
Prendo-te enlaçando meus braços
em tua cintura de ampulheta,
mas descuido e abro os olhos.
Estático, surpreendo-me só com a sensação
de tua pele de sombra e bronze
a badalar em meus ouvidos.
 

 
Delírios lúgubres reservam teu colo de lira,
harpa de sonoros desejos de outrora.
Anseiam meus dedos ligeiros
tocar as cordas de teu amor.
Contorço-me ao teu redor,
serpenteando em suaves giros
pelas colunas alabastrinas de tuas pernas.
Enrolado ao teu corpo cravo as presas
em teu solenóglifo seio envenenado.
 Sinto o sangue congelar.
E de pedra passo a compor
teus contornos rígidos de estátua.
Eternizados neste gesto atemporal
sou Cacambo e tu és Lindóia
e o sangue na parede apenas
é memória de um poema antigo.



"Adeus: palavra que torna as pessoas
em insignificante passado.
Morte antecipada em seus festejos
para aqueles que partem.
Derradeira palavra colada a lábios
cheios de coragem audaciosa.
"Adeus": palavra libertadora para uns
cárcere escuro para outros.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Pelas fendas do ladrilho
brotam estranhas memórias.
Agarrando-se às minhas pernas
sobem estes ramos verdes;
cravam seus dentes de sombras
dilacerando minha carne.
Sinto o gosto de terra na boca,
as raízes vampirizam meu pescoço
e de meus olhos brotam
suaves orquídeas azuis.

As palavras mentem
inevitavelmente são mentirosas
em teus doces lábios.
Saboreio o tom das palavras
mastigo cada sílaba
como se devorasse tua língua de hidra.
Sei que teus olhos desmentem
o som da flauta ciciante
emitido por tua boca.
Mas, ineludivelmente fui traído
pelos arpejos de teu lirismo
e hoje me vejo à sombra do abismo.

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...