segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Efemeridade

Olhei a manhã embaçada
pela janela de vidro.
Olhar ao longe, sorvi o café.
A golada desceu fria
como aquele amanhecer de inverno.

domingo, 3 de agosto de 2014

Suor

Sinto a face derreter
em gotículas de leve sensualidade.
Percebo a flacidez dos músculos
encharcados marcando a camisa.
Uma liquidez quente desce
pelo abdômen abrançando-me a cintura.
Sinto o leve incômodo da calça
molhada como se eu estivesse em um charco.
Sinto que meu ser se esvai pelos poros
e afogo-me nesta água salgada
sem praia, sem mar, sem a quente areia.


Há um buraco
ele é negro
nebuloso e insano
parte intocável do ser.
Ali se encontram
memórias, pesadelos, medos
mascarados pelo sorriso
sócio-cotidiano das manhãs.


sábado, 2 de agosto de 2014

Minha revolução é de uma entidade só.
Um eu-lírico armado de
versos cortantes, rimas
atiradas com uma funda na fronte de Golias.
Suspeito de toda revolução
que o homem tenha de usar outras máscaras
que não a própria anteface do rosto.
A primeira revolta é interna
guerra de entranhas
explosão vulcânica das profundezas do ser.

Na cantilena das horas mortas
encontrei-me com o vício da poesia.
Noite de pactos e sangue
liturgia fúnebre de uma alma
parada na encruzilhada das veredas,
entre o afago das asas brancas
e a sedução dos cornos de bronze.
Poesia: maldição da sibila
que vê claramente na escuridão
e declama enigmas em versos lúgubres.

No céu de tua boca
explodiram estrelas
que embora mortas, brilham.
Por isso este desassossego
obrigando-me a fechar os olhos
ao cair lento da noite.

Isaque e Ismael

Explodiram pedras do asfalto
romperam vozes de revoluções antigas.
Estilhaços arranharam as peles;
choro e ranger de dentes
o inferno urbano assolando
mulheres e crianças.
Enquanto os homens digladiam-se
por antigos ciúmes inexplicáveis.

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...