terça-feira, 8 de julho de 2014

No espelho de tuas unhas azuis
descobri-me velho.
Teus dedos morenos
qual adornos barrocos
destilam de tuas unhas
uma prisão incansável de me possuir.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Demorei a acordar
demorei a perceber que o poema
dentro de mim despertou ranzinza
e chato a reclamar a ausência
de um sol ainda sem luz.

Há um poema não escrito.
Ideal, mental perfeito.
Sua sonoridade
atravessa a eternidade.

domingo, 6 de julho de 2014

À meia noite sob a luz do poste
a encontrei iluminada como num palco.
Atriz principal de uma peça
monólogo arriscado na calçada.
E eu, figurante menor, a acompanhava,
cada gesto, cada movimento dos dedos
que apertavam o cigarro levado
calmamente aos lábios vermelhos.
Segui-na pelas ruas, pelos postes,
pelas calçadas e fiz as mesmas paradas.
Contemplei-na à beira da orla.
Encostou-se no parapeito, gestos calmos
subiu e atirou-se para sempre
nas ondas negras de uma noite infinita.

Oh, Deus, por que deixaste
o pecado deitado à minha porta?
Por que mandaste que eu me controlasse
se o pecado é tão belo e atrativo?
Por que cabe a mim e não a Ti resisti-lo?
Por que a mim esta tarefa tão árdua?
Sinto-me só e fraco,
tentado a ceder.
Por fim, abraço o pecado e vivo com ele
um romance intenso e banal.


O corpo se arrasta todos os dias
entre carros, motos, outros corpos.
Tomba da cama pela manhã
esperando o dia que tombará
pela última vez na terra.
O corpo se ritualiza,
entre escovas e esponjas se higieniza
civiliza-se para outros corpos.
Veste-se, sai e agora
corpo fechado igual outros corpos
dança o baile da sociedade.

Um suspiro
uma dose de si
a angústia da incompreensão.
Vi todos girarem
em torno da poesia.
Dança frenética,
ritual da chuva,
cerimonia genésica
no ventre dos versos.

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...