domingo, 29 de junho de 2014

Olho o teto adornado de manchas
madeira velha, tinta antiga amarelada
goteira incessante de anos.
Prisioneiro de meu quarto
contemplo a solidão da tarde.
Mas não gosto da noite
a luz filtrada pela janela
denuncia o horror do anoitecer
e as manchas do forro tornam-se enormes
deixando o passado imerso 
em densa neblina.

sábado, 28 de junho de 2014

A mesa vazia
compartilha jantares antigos.
Vozes sussuradas
gestos inexistentes.
Olhares apagados
sorrisos escurecidos
por uma boca desdentada
que sugou a essência
dos seres que ali sentaram.

O sino da igreja badala
anunciando as ave-marias.
Uma voz negra reza pais-nossos
lúgubres em meio ao lusco-fusco.
O manto escuro da noite se estende
e uma tristeza invade o céu escuro
de séculos, guerras e desavenças familiares.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A menina admira a fonte.
Um anjo de pedra cinza
em meio ao ladrilho da praça.
Vê em sua adroginia
um amor irrefreável; solta as asas
de sua antes pudica imaginação.
E beija o anjo de pedra em seu sexo
engolindo o jorro abundante de água quente.
Água reveladora de mais um
anjo que perdeu suas asas. 

O poeta crê tão piamente em sua solidão
que faz desta invenção sua verdade.
Vive, chora e sofre
a ausência inexistente.
Não sabe bem por que chora
por quem sofre, mas vive
só em sua ilusão de uma vida vazia.

No pelourinho à noite
ainda soam vozes negras
misturadas ao som da chibata
e dos atabaques sonantes
numa dança nervosa
que imita o jogo de capoeira.
Ali as almas negras
choram seu choro de séculos
ocultas pelo colorido das construções
admiradas à luz do sol.

O relógio em meu pulso
devora segundos, minutos, horas.
Meus dias escorrem no girar
dos ponteiros que se
cravam em meu coração
esvaindo a vida nas
horas mortas em que
os ponteiros não cessam de girar.
 

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...