terça-feira, 24 de junho de 2014

Ouço vozes de um passado distante
a charrete desliza macia
interrompida apenas pelo bater
dos cascos do cavalo marrom.
Os tambores de leite
as garrafas brancas
deixadas na porta de casa.
Cheiros de um café da manhã
paralizado para sempre
numa mesa de madeira
ao lado do fogão de lenha.
Recebo um soco no estômago
abro os olhos
e vejo que estou sozinho.
 

Nascimento

Força! Força!!
Force! Force!
Empurre! Empurra!
Respire! Respire!
Vai! Empurra!
Assim somos empurrados para o mundo.
Nascimento:
Previsão das lutas e desilusões da vida.
 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O único poema de amor que vale a pena
é aquele que ainda não foi escrito.
Está no silêncio dos olhares
na cumplicidade dos sorrisos
no envolvimento dos beijos.
E, se houve palavras para expressar
talvez não fosse tão amor assim.
O poema de amor está nas mãos entrelaçadas
que passeiam pelas calçadas,
nos olhares de intimidade
na ausência de palavras
mais poderosa que o som
de mil versos bem escritos.
A chave estava sobre a estante
lembrando que havia portas
fechadas pelos labirintos da memória.
Ousei tocá-la, mas tive medo
de quem poderia encontrar
no quarto povoado de lembranças.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Outono de uma flor

O vento soprou
a roxa flor arrebatada
ainda balançou
num gesto de aceno final
antes do derradeiro
encontro com terra. 

Solidão pela manhã

Do outro lado da mesa
há um silêncio cortante.
A mesa quase vazia
desafia o expectante
quedo e mudo, ainda inerte
pelo susto da ausência.
Duro golpe:
A porta bateu
e jamais voltou a se abrir.

domingo, 8 de junho de 2014

Quando ao inferno chegar
tomarei um cálice de conhaque
com Drummond, Bandeira e Vinicius
Lá falaremos de mulheres
dos poemas e da vida.
Compartilharemos do gozo dos insanos
das histórias de amor não vividas
e das vividas em camas estreitas
e em manchados lençóis.
Ali o cujo nos invejará
e não o convidaremos para
o cálice de conhaque.
E ele de goela seca - o cujo - suspirará
por jamais ter corpo, pênis, alma.

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...