domingo, 4 de maio de 2014

Passei pela casa,
ela dormia com seus habitantes.
Apenas as memórias exalavam
um odor de passado
vindo da cozinha.
A mesa com seus talheres mudos,
 a réstia de alho pendurada,
o carvão apagado no fogão,
mas como ardia meu coração.
A fumaça do passado
fez arder meus olhos,
fugi da cozinha lacrimejando
após soprar as brasas da memória.

TEUS DEDOS

Observo o passear de teus dedos
pelas páginas do livro.
Roçam delicadamente as palavras
indiferentes aos toques macios.
Tenho ciúmes dessas ingratas
que têm de ti o que
desejo para mim.
E eu ali olhando-te
livro aberto, páginas ao vento
esperando que me leias,
ou ao menos folheei-me
com teus dedos.

Poema orgasmo:
Explosão de sons lancinantes.
Descontrole total
Boca trêmula
Olhos vidrados
Relaxamento brutal
Fadiga momentânea.
Sílabas métricas 
roçam a língua
lacerando palavras
entrecortadas na
compreensão mútua do amantes.

 
Teu sorriso imprimiu
em mim a marca
de uma violenta paz
que desarmou meu 
espírito em guerra.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Vesti-me para o inverno,
na lapela do casaco
uma flor.
Estou cansado de flores
apenas na primavera.
No meu poema as flores
vivem no frio,
não há folhas no chão
e há pássaros nas árvores.

Sou um eu-lírico
fadigado do anonimato.
Quero meu nome,
exijo minha identidade
perdida em séculos
de versificação.
Emprestado a inúmeros poetas
que covardemente se ocultaram
atrás deste termo.
Sim, virei um mero termo,
vocábulo de dicionário poético,
porém tenho mil faces
e o sentimento do universal
cabe em mim.



Deixe que o poema durma
em sua calma e seu silêncio.
E quando ele gritar
e não mais suportar sua voz,
então liberte-o
para que grite em outros ouvidos.


  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...