segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Vulvaósculo

Ventre entre arrombre
bombe, lambe, ame.

Toque, sinta o tato das
gemas semideslizantes
pela rede negra úmida
pronta a rebentar
ávida por alimentar o desejo.

Animadesejo
idsexual
arfa... fa... fa... fa...
falo línguafalogocêntrica
a escorrer pelo abismo absinto
de lixo, luxo luxúria de
teu sexo... oh.... oh...oh...

sábado, 4 de janeiro de 2014

Herança Portuguesa

À noite em sua cama
sonha o poeta suarento
que seu pênis é uma espada.

Em delírio arromba virgens,
faz de seu pênis espada vingadora.

Síndrome de Don Juan:
arromba cabaços como se tomasse povos.

Pela manhã, ainda de falo duro
admite seu fracasso, acenando
com seu mastro à deriva no mar de lençóis.

Da ausência

A casa vazia
repercutia o eco de vozes distantes.

Há gritos calados
arrebentando os tímpanos da memória.

Vozes por sair
as cadeiras vazias
o sofá que ainda espera pelo sentar.

Assim estava a casa
com o bule de café sobre o fogão
as xícaras dentro do armário
e o reflexo dos porta-retratos
lembrando os que ali estavam ausentes.

Retrato ausente

Baloiça seu ca -
belo loiro esvoa -
çante sem brisa.

Olhos de amen -
dôa claros raros
que doa a falta deles.

A veias serpenteiam
pela pele branca de albastro
escorrendo pelos dedos
até o esmalte azul de tuas
garras que agarram-se ao meu peito.

Silhueta contra-luz
sombra de corpo
menina mulher oculta
na armadilha de teus contornos.


Saudade

Ausente: falso vocábulo;
ente presente.

Por que te chamas ausente
se estás presente?

Ironia do signo
que marca com a presença
a ausência.

Ausente...ente fantasmagórico
das horas mortas.

Há um tilintar de copos vazios
de pratos por lavar
de prantos anunciados
de falas suspensas
de vozes ausentes.

Por que dói tanto se não estás aqui?
Se estás ausente?


Dicionariamente

Segue-me dicionário
racionário
reacionário.

Persegue-me dicionário
Vário em beleza vária.

Do verbete verte verbosidade
Verborrágica, hemorrágica
Mágica da construção fatal, fetal
da lírica correta reta o reto.

Acaricia, acariciante, cicia, ciciante
a íris da tua perfeição, feição diante
de antes, iante dantes meus olhos.

Provocativo, faz-se vocativo
ativo ante meus olhos, a provocacionar
minha lira imperfeita, feita só de palavras
por ser só palavra, nada mais que lavras
da seara, arar das linhas em branco
do meu caderno de esculpir. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

Orfa e Rute

Compraram um pedacinho de chão. Os filhos estavam felizes, poderiam cultivar a terra, criar porcos e galinhas e dali tirar seu sustento. Ambos abraçavam suas esposas e olhavam com carinho para o pai e a mãe que os acompanhava. O pai sonhava com netos, os filhos com seus filhos. Tudo era perfeição e alegria.
Porém um dia, o pai tocaiado morre de um tiro de carabina. Certeiro, tiro único na fronte. Mal os filhos choraram a partida do patriarca e antes que engendrassem filhos nas suas esposas, duas novas tocaias, pertinho do santuário de pedra, ceifaram Malom e Quiliom.
Numa mesma casa três mulheres, três viúvas, três sangues quentes, três ventres pedindo homem. Três lamentações: a de Noemi de ser velha demais e pouco apetitosa aos olhos; a de Orfa o amor dedicado à sogra a despeito desta não ter outro filho para que pudesse se casar; Rute odiava a Orfa e precisava se desvencilhar dela para, quem sabe, casar-se com Boaz, um parente distante de Noemi.
Três mulheres, impossível a conciliação entre elas. Uma delas sobrava na relação e precisava ser eliminada. Durante o caminho matinal de buscar água, Rute sussurra a Orfa que a sogra pretende entregá-la a um peão de estância e para isso diz que voltará a Sarandi.  Orfa, assustada, resolve seguir todos os conselhos de Rute.
Na hora da partida, Orfa seguindo à risca os mandamentos de Rute, beija a sogra e resolve voltar a Nova Andradina em busca de um novo marido, quem sabe um fazendeiro, porém chora amargamente ter de deixar aquela que lhe foi como mãe e que agora queria traí-la vilmente.
Rute atira secamente um olhar para a sogra e diz: “Eras esta a tua preferida? Mas veja, quem te sobrou fui eu! Ser-te-ei como uma filha, embora não tenhas mais filhos com quem possa me casar.”.
Noemi, emocionada, recolhe uma última lágrima que desce pelos sulcos de seu rosto;  guarda no íntimo de seu coração apresentar-lhe a Boaz seu primo distante, fazendeiro divorciado três vezes e que ainda precisava de herdeiros. Sorri a Rute e diz: “Vamos minha filha, pegues as trouxas, no primeiro ônibus para Sarandi embarcamos, com a economia temos o que comer até chegar lá.”.

Seguem ambas as mulheres rumo ao Paraná, porém Rute ainda guarda aquele punhal que não precisou usar com a ingênua Orfa. 

  A poesia é essa água que escorre pela boca e d esce pelas bordas  rompendo a barreira dos lábios. Diz e não diz f abula mundos intangív...